Arquidiocese de Cuiabá emitiu uma dura nota de repúdio após a vandalização da imagem de Nossa Senhora Aparecida localizada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena. A santa foi encontrada quebrada, sem a cabeça, na noite da última sexta-feira (25).
O local é considerado um importante marco da religiosidade, da história e da cultura cuiabana, reunindo elementos da tradição católica e da cultura dos povos de matriz africana.
Em nota assinada pelo administrador arquidiocesano, padre Deusdedit Monge de Almeida – responsável pela Igreja no período de Sede Vacante – a Arquidiocese afirmou que o ato fere a liberdade de consciência e de crença garantida pela Constituição e que crimes motivados por intolerância religiosa devem ser apurados e responsabilizados.
“Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, é, para nós, católicos, Mãe protetora e intercessora. Sua imagem merece respeito, assim como devem ser respeitados os símbolos, espaços sagrados e manifestações de fé de todas as tradições religiosas”, diz o texto.
A Arquidiocese ainda reforçou: “Não à intolerância religiosa! Sim ao diálogo, à fraternidade e ao amor!” e pediu que as autoridades identifiquem os responsáveis e que a justiça seja feita.
Procurada, a assessoria da Polícia Civil informou que não foi encontrado registro de ocorrência relacionado ao episódio.
O caso ocorre às vésperas do dia 12 de outubro, quando é celebrada a festa da Padroeira do Brasil, e em meio à disputa ideológica em torno da santa na corrida presidencial. O nome de Nossa Senhora Aparecida entrou no debate após a alegação de que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) teria prometido retirar o título de Padroeira. Flávio nega e acusa o adversário Lula (PT) de fake news. O projeto que propõe a mudança existe, mas não é de autoria de Flávio Bolsonaro – foi apresentado por Victório Galli (PL), então assessor de Jair Bolsonaro, e acabou arquivado.