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PRESSÃO POR VOTOS

Em áudio, diretor diz que cada escola tem “cota” de votos para ex-secretário e ameaça servidores

Gravação aponta que 13 escolas teriam recebido metas de votação; na unidade, a cota seria de 50 votos para Alan Porto, além de possíveis consequências para quem não o apoiasse.

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Reprodução

Um áudio atribuído ao diretor da Escola Estadual Santana do Taquaral, Valmir Fernandes, em Santo Antônio do Leverger (34 km de Cuiabá), é alvo de investigação do Ministério Público Eleitoral (MPE) por possível cobrança de apoio político ao ex-secretário de Estado de Educação Alan Porto (Republicanos), candidato a deputado estadual.

Na gravação, feita durante um encontro dentro da unidade de ensino, o diretor afirma que gestores de escolas da região teriam estabelecido metas eleitorais para cada escola.

“São 13 diretores do município. Cada escola ficou com uma cota.”

Segundo o áudio, a escola dirigida por Fernandes teria uma meta de 50 votos para Alan Porto.

“Eu virei para ele e disse: ‘Se caso você for eleito, nós garantimos 50 votos com você. O que é que nós ganhamos com isso?’”

Durante a conversa, o diretor também menciona a possibilidade de conseguir uma quadra esportiva para a comunidade escolar.

“Lembra que você tem uma quadra lá para a sua comunidade? Para a sua escola? Falei: ‘Eu quero’. Pois a quadra vai estar na mão.”

Ameaças a servidores

Ao mencionar uma possível cobrança caso Alan Porto não fosse eleito, mas posteriormente voltasse ao comando da Secretaria de Estado de Educação, ele afirma:

“Ele vai chegar em mim e falar: ‘Diretor, realmente o senhor não conseguiu os 50 votos (…) Aponta para mim quem não votou em mim. Quem não me apoiou, eu mato’.”

Na sequência, Fernandes direciona a fala principalmente aos servidores contratados e menciona a possibilidade de transferência ou mudança de lotação caso o grupo político voltasse a ter influência sobre a pasta.

“E vocês são o quê? Contrato. E mesmo assim, está vendo? Porque é política, é marcação. E sendo efetivo ou não efetivo, vai colocar para outra… vai destinar ele para outro lugar.”

Durante a conversa, o diretor ainda faz uma avaliação sobre a disputa política:

“Política chama-se jogo sujo (…) O político é mais sujo que puleiro de galinha.”

Investigação

O Ministério Público Eleitoral apura se houve utilização da estrutura da Secretaria de Estado de Educação para favorecer a candidatura de Alan Porto e se servidores públicos foram pressionados ou utilizados na busca por votos.

O episódio se soma a outros procedimentos envolvendo o ex-secretário.

Em Comodoro, o juiz Emerson Luis Pereira Cajango, da 55ª Zona Eleitoral, determinou o envio de manifestação ao MPE após a divulgação de um vídeo gravado em frente à Escola Municipal Nossa Senhora das Graças. Nas imagens publicadas nas redes sociais de Alan Porto, ele aparece acompanhado por servidoras uniformizadas da unidade.

Outro episódio investigado ocorreu em uma escola cívico-militar de Juara. Imagens mostram estudantes perfilados e prestando continência ao ex-secretário durante sua presença na unidade. O MPE apura se a situação pode caracterizar abuso de poder político ou conduta vedada no ambiente escolar.

O que diz Alan Porto

Por meio de nota, a assessoria de Alan Porto afirmou que todas as atividades realizadas pelo candidato seguem a legislação eleitoral e as normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Segundo a assessoria, a campanha conta com orientação jurídica e eventuais questionamentos serão respondidos nos processos próprios, conforme determinação da Justiça Eleitoral.

A Secretaria de Estado de Educação não havia encaminhado manifestação até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.

As situações relatadas são objeto de investigação e, até o momento, não há conclusão das autoridades sobre eventual irregularidade eleitoral.

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