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Casos de desaparecidos

Omissão de informações por familiares dificulta buscas em MT

Escrivã-chefe do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da PJC-MT, Jannaína Paula afirma que o medo de exposição e a resistência à divulgação de fotos prejudicam as investigações.

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Informações omitidas por familiares podem dificultar as investigações de pessoas desaparecidas em Mato Grosso. O alerta é da escrivã-chefe do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil de Mato Grosso (PJC-MT), Jannaína Paula Brito de Souza Silva, em entrevista à Rádio Capital.

Segundo Jannaína, há situações em que familiares deixam de contar aos policiais detalhes sobre a vida do desaparecido por medo de exposição. Entre os exemplos estão casos de pessoas que fazem uso de drogas ou possuem algum tipo de envolvimento com organizações criminosas.

“Existem pessoas que vão lá e ficam com vergonha de falar que a pessoa é usuária de drogas, que tem envolvimento com facção criminosa, e a gente perde a investigação por conta dessas situações”, afirmou.

De acordo com a escrivã-chefe, essas informações são importantes porque ajudam os investigadores a definir quais procedimentos devem ser adotados e quais caminhos seguir durante as buscas.

“Quanto mais informação, melhor. Porque aí fica mais fácil de achar”, explicou.

Resistência à divulgação

Outro problema enfrentado pela equipe é a resistência de familiares em autorizar a divulgação de cartazes com a foto do desaparecido.

Jannaína afirma que muitos casos deixam de ser divulgados porque os parentes não querem expor a imagem ou informações pessoais da pessoa desaparecida. A medida, porém, reduz o alcance das buscas, principalmente porque o Núcleo possui uma equipe pequena para realizar diligências presenciais.

“Como são muitos casos em Cuiabá, a gente trabalha com denúncia e o nosso Instagram tem bastante visualização, então a gente tem bastante resposta. Só que, sem a divulgação do cartaz, ela meio que atrapalha a gente, porque a gente não tem como sair, somos poucos servidores para sair na rua procurando todo mundo”, explicou.

As redes sociais se tornaram uma das principais ferramentas utilizadas pela Polícia Civil para ampliar a divulgação dos casos. Segundo a escrivã-chefe, o Instagram do Núcleo possui grande alcance e ajuda a receber denúncias e informações sobre pessoas desaparecidas.

Foto com filtro também atrapalha

A Polícia Civil também orienta os familiares a encaminharem fotografias reais e sem filtros para a confecção dos cartazes.

Jannaína explica que imagens muito editadas podem dificultar o reconhecimento, principalmente quando a equipe ou a população encontra uma pessoa cuja aparência mudou ao longo dos anos.

“Eu peço a foto mais sincera, mais pura possível, porque o pessoal manda muita foto com filtro. Na foto do cartaz, quando você vê a pessoa pessoalmente, é totalmente diferente”, alertou.

Para a policial, colaborar com informações e permitir a divulgação da imagem são atitudes que podem aumentar as chances de localização.

O Núcleo atua em todo o estado e é especializado no atendimento a casos de desaparecimento de pessoas de todas as idades, desde crianças e adolescentes até adultos e idosos.

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