A falta de água em Várzea Grande e os problemas financeiros do Departamento de Água e Esgoto (DAE) continuam gerando muita discussão na cidade. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) pediu para o Ministério Público entrar na Justiça e fazer uma intervenção na autarquia, ou seja, deixar que o governo estadual assuma o controle para arrumar a casa.
A prefeita Flávia Moretti explicou que não vê problemas nessa ajuda de fora e disse que “a intervenção ao DAE não é um bicho, a intervenção a qualquer órgão, não é um bicho de 7 cabeças”. Para ela, que é advogada, essa é “uma forma legal de ter a colaboração do Estado”.
A situação do DAE é complicada: o órgão acumula uma dívida imensa de 315 milhões de reais, juntando contas de energia atrasadas e processos na Justiça, além de ter deixado de cobrar 158 milhões de reais de moradores que não pagaram a conta de água nos últimos anos.
O DAE divulgou uma nota dizendo que esses problemas aconteceram entre os anos de 2021 e 2023, antes da atual diretoria assumir o comando em março de 2026, e que a Justiça ainda não deu a palavra final sobre o caso. Mesmo assim, muita gente estranhou o fato de vários políticos resolverem ajudar Várzea Grande justamente agora.
A prefeita rebateu essa desconfiança e disse que as coisas mudaram porque ela começou a mostrar a realidade: “a minha gestão está mostrando os percalços de Várzea Grande. O que Várzea Grande estava antes e eu estou mostrando, seja na infraestrutura, como vocês estão vendo aqui, seja no DAE, seja na saúde”. Segundo a prefeita, foi por isso que os políticos resolveram estender a mão para a cidade, oferecendo dinheiro e técnicos para ajudar a resolver o problema.
Além do buraco nas contas, o DAE também enfrenta uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público por suspeita de crimes como desvio de dinheiro, fraudes e até “religações fantasmas” de água, que eram registradas no sistema de computador só para gerar pagamentos indevidos para funcionários. Para piorar, existem denúncias de que o setor de informática do DAE foi desfeito e que pessoas investigadas foram promovidas, o que atrapalhou a busca por provas. A direção atual da autarquia garante que tudo isso é coisa do passado e que a gestão que começou em março de 2026 está limpa.
No meio de toda essa confusão, muitas pessoas se perguntam se essa ajuda dos políticos do estado não vai custar caro lá na frente, como um pedido de apoio para as próximas eleições. A prefeita Flávia Moretti garantiu que ninguém cobrou nada dela.
Ela explicou que as conversas são apenas sobre “tentar resolver um problema crônico na nossa cidade, na nossa sociedade, para a nossa população, que é a falta do abastecimento de água”. Sobre em quem vai votar ou quem vai apoiar no futuro, a prefeita preferiu não adiantar nenhum nome e encerrou o assunto de forma direta: “eu já falei que eu só manifesto isso com as convenções”.