
O deputado federal Juarez Costa (Republicanos-MT) negou nesta quarta-feira (17) as acusações de que teria recebido R$ 30 milhões em propina e uma BMW para favorecer a Aegea Saneamento na concessão dos serviços de água e esgoto de Sinop quando era prefeito. Ele classificou as denúncias como antigas e disse que ressurgem em períodos eleitorais.
As acusações constam em delações premiadas de ex-executivos da Aegea, homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e reveladas pelo portal Metrópoles. Segundo os delatores, os pagamentos teriam ocorrido entre 2009 e 2016, durante a gestão de Juarez na Prefeitura de Sinop. As delações também citam a compra de uma BMW de R$ 330 mil, pagamentos em espécie e operações ligadas a despesas de campanha.
“Quem recebe R$ 30 milhões vai se preocupar com a BMW? R$ 30 milhões dava para comprar dois sistemas de água e esgoto de Sinop. Eu vou pedir R$ 30 milhões mais uma BMW? Eu tive oito”, ironizou. O deputado afirmou que soube do caso nesta semana e que não tem acesso ao processo, que tramita sob sigilo no STJ. “Se tem vídeo, vamos mostrar o vídeo. Se existe alguma coisa, vamos mostrar. Eu desconheço o processo”, disse.
Juarez afirmou que esta é a quinta vez que responde sobre o assunto desde 2014 e atribuiu a retomada das denúncias a adversários políticos. Ele defendeu que a concessão em Sinop foi transparente, com audiências públicas e aprovação da Câmara Municipal. Segundo ele, as críticas começaram após a instalação de hidrômetros, quando a cobrança passou da taxa mínima para o consumo efetivo.
Em nota pública, o parlamentar disse que a defesa ainda não teve acesso aos autos e considerou precipitada qualquer conclusão. Afirmou que delações devem ser analisadas com cautela e acompanhadas de provas independentes. Questionou o momento da divulgação, já que os fatos seriam de mais de dez anos, a delação foi firmada há seis anos e homologada apenas em 2025. “A divulgação seletiva desses relatos às vésperas de um novo ciclo eleitoral desperta questionamentos”, declarou.
O deputado ressaltou que prefeitos não aprovam leis sozinhos e que o processo de concessão teve acompanhamento institucional e aprovação do Legislativo. Disse estar à disposição das autoridades e que confia que “a verdade prevalecerá, baseada em fatos, documentos e provas”.
O processo envolvendo a gestão de Juarez Costa como prefeito de Sinop entre 2009 e 2016 corre em sigilo no STJ.