Em uma live no Instagram neste domingo (30), o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, detalhou as irregularidades encontradas em materiais didáticos da rede municipal de Cuiabá. A fala durou cerca de 18 minutos e foi marcada por indignação.
“Milhões de reais jogados fora”, afirmou ao mostrar dezenas de livros apreendidos em vistorias.
Entre os absurdos apontados, um livro de educação financeira traz o salário mínimo defasado em R$ 720 — o valor atual é R$ 1.518. O problema, segundo ele, é que a disciplina sequer existe na grade curricular municipal.
“Como que o professor pega uma porcaria de um livro desses e dá informação errada?”, questionou.
O conselheiro também exibiu um livro de alfabetização de apenas 31 páginas com “11 erros de português”. Outro alvo foi o material de informática, adquirido a peso de ouro sem que houvesse aulas ou professores da matéria.
“A quadrilha que vendeu isso é uma quadrilha de malandros, desonestos e burros”, disparou.
A cereja do escândalo veio ao final: boletins escolares foram fraudados para incluir a matéria “computação”, com notas inventadas.
“Os bandidos inseriram no boletim a matéria de informática e colocaram nota. A mãe disse: ‘minha filha nunca teve aula de computação, não tem computador, e tirou 7’”, contou.
Segundo Sérgio Ricardo, a Prefeitura de Cuiabá já pagou R$ 50 milhões por esses materiais inutilizáveis, com planejamento de chegar a R$ 160 milhões até 2026.
“Isso é crime. Alguém vai ter que pagar”, concluiu.
A investigação é feita em parceria com o prefeito Abilio Brunini, que já suspendeu novos pagamentos. O TCE promete estender a fiscalização para a rede estadual e outros municípios.