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DIA MUNDIAL DE COMBATE

Infectologista esclarece dúvidas e recomenda prevenção à Hepatite

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Foto: Fernanda Nazário | SES-MT

No último domingo (19), Dia Mundial de Combate à Hepatite, o médico e professor de infectologia da Universidade Federal de Mato Grosso, Luciano Corrêa, concedeu uma entrevista ao Capital Notícia, onde tirou dúvidas e fez recomendações de prevenção à doença. A data faz parte do calendário da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Segundo o Boletim Epidemiológico de 2023 do Governo Federal sobre Hepatites Virais, entre 2000 e 2022, foram confirmados 750.651 casos de hepatites virais no Brasil. Mesmo com o aumento no diagnóstico da doença, muitos ainda sabem pouco sobre ela.

“A hepatite nada mais é do que um processo de inflamação do fígado. E essa inflamação do fígado pode ser desencadeada por uma série de variáveis, podendo ela ser de origem por infecção ou não. Então, as hepatites podem ser de causa medicamentosa, podem ser por doenças próprias do fígado, como doenças autoimunes, doenças cardiovasculares que levam a essa inflamação. E também por causa infecciosa”, explicou.

Ele destacou os tipos mais comuns de hepatite no Brasil: A, B e C. A hepatite A é transmitida por água ou alimentos contaminados; a hepatite B, por relações sexuais não protegidas; e a hepatite C, por contaminação sanguínea.

“As hepatites infecciosas podem ser transmitidas de diversas formas, como por mecanismo oral, fecal, no caso, alimentos, diretamente relacionados às condições higiênico-sanitárias, como no caso da hepatite A. Existem outras que são transmitidas com fluidos corporais. No caso, sêmen, secreção vaginal, sangue, compartilhar, seringa, agulha contaminada, droga injetável, esses para hepatite B e C”, disse o professor.

Luciano enfatizou que a hepatite muitas vezes não apresenta sintomas, mas quando ocorrem, podem incluir febre, tontura, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Sem tratamento, a hepatite pode evoluir para infecção aguda, cirrose e câncer.

“Tem muita gente que tem hepatite e nem sabe que tem. Todo mundo tem que fazer exame, porque muitos dos pacientes têm comportamento assintomático. E, em decorrência da hepatite, pode evoluir para um câncer de fígado. Outra causa importante também de inflamação do fígado é o uso abusivo de álcool. Então, o uso abusivo de álcool pode levar a uma hepatite aguda. São essas variáveis, então causas infecciosas, causas não infecciosas”, alertou o infectologista.

Para prevenção, o médico recomendou medidas como higiene pessoal, lavar alimentos antes de consumir, não compartilhar objetos de uso pessoal e usar preservativos nas relações sexuais. Ele também lembrou da vacinação contra a hepatite B, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Bom, veja bem, no caso das hepatites infecciosas, hepatite A, melhoria da qualidade de vida, higiene sanitária, melhorar as condições de água encanada, rede de esgoto. No caso da hepatite B, hoje, já tendo o calendário vacinal, faz parte do Programa Nacional de Imunização. Vacina, já está aí, a criança nasce, sai da maternidade, já tomando vacina. Então, as pessoas já adquirem imunidade por vacina. No caso da hepatite C, é evitar compartilhar a seringa, evitar o uso de drogas, evitar a promiscuidade sexual, como mecanismo de proteção”, esclareceu.

O professor concluiu destacando a importância de falar sobre a doença para aumentar a conscientização e garantir qualidade de vida aos diagnosticados precocemente.

“O grande tabu que existe é a hepatite de transmissão sexual. As pessoas ainda têm receio do uso do preservativo. Então, a prevenção é muito importante. A hepatite é uma epidemia oculta. A recomendação é que todo mundo faça exame, principalmente os jovens, o adulto jovem que está iniciando a atividade sexual. E que, uma vez tendo o diagnóstico confirmado, procure o serviço de saúde para ter um acompanhamento especializado. Está longe de ser uma sentença o diagnóstico, porém precisa de acompanhamento”, finalizou o médico.

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